OS NOMES NA MÁQUINA
- Um livro de Daniel Ricardo Barbosa -
Editora Hemisfério Sul e Editora Canto Escuro
136 páginas
Ano de publicação: 2009

A publicação do "Os Nomes na Máquina", livro de contos do cotidiano escrito em diversos períodos da vida do seu autor, foi publicado em inédita parceria entre as casas editoriais Editora Hemisfério Sul, situada em Blumenau (Santa Catarina), e a Editora Canto Escuro, sediada em Portugal, responsável pela distribuição dos exemplares naqueles lados do Atlântico. 

"Os Nomes na Máquina", de autoria do escritor mineiro Daniel Ricardo Barbosa, já veterano nas terras d'além-mar, onde publicou o romance "Elo, Entrelinhas e Alucinações", no ano de 2008, através da mesma Editora Canto Escuro, vem recebendo muitos elogios tanto do público-leitor, quanto da crítica. Tais elogios se assomam e multiplicam na medida em que o livro se esgota e é reimpresso, distribuído mais amplamente, descoberto pelas pessoas. Muitas delas dizem ser o melhor livro que já leram na vida, inspirado, sensível, engraçado, marcante.

"Os Nomes na Máquina", além de esmerado e instigante texto, foi todo ilustrado pela artista plástica Elizabeth Finholdt, tendo belíssima capa da mesma autora (versão impressa e digital). 

O lançamento oficial do livro aconteceu no dia 17 de julho de 2009, às 19:00 horas, na Livraria Quixote e Café, cito a Rua Fernandes Tourinho, 274, em Belo Horizonte/MG. Contou com a presença do editor português, o intelectual Vítor Vicente, que para tal fim se abalou desde as terras de Europa até a capital mineira.

Sobre o livro "Os Nomes na Máquina", manifestou-se a escritora Urda Alice Klueger:

"Nenhum autor escreveu sua terra como Eça de Queiroz. Andando por Portugal ou convivendo com as gentes lusas ao longo do mundo, tal coisa fica muito clara - e eu só pude entender completamente tal fidelidade à pátria em Eça de Queiroz depois que soube como ele escrevera movido pela saudade, já que vivia em eterno exílio, diplomata que foi pela vida a fora.

Creio que é este o caso de Daniel Ricardo Barbosa que, como todo mineiro que se preze, vive em constante saudade do mar, exilado na sua província de terras adentro e que, quase de forma única, abre este livro cheio de talento com o conto "Pessoa", texto marítimo de tal doçura que só pode ter sido movido pela nostalgia e a distância que separam Minas Gerais do litoral.

Na trilha encantada do menino Guilherme, outras e outros paisagens e personagens, os mais diversificados, vão habitando os contos deste livro que nos vem das ansiedades da alma de um escritor que já está na sua segunda experiência internacional, tendo em vista que seu livro de estréia já chegou aterrissando em Portugal, como este também.

Fico aqui pensando: porque terá chegado tão rapidamente no além mar alguém tão jovem como esse autor? Há coisas mágicas no mundo: teria a saudade de Eça de Queiroz e a saudade de Daniel de alguma forma se entrelaçado e se dado às mãos por sobre o oceano? "

Clicando nas guias acima - Pessoa, Marcelo, Anônimo I e Vilmar - é possível ler trechos de quatro dos nove contos que compõem o livro. Inserimos também logo abaixo uma pequena amostra do livro, para que se conheça um pouco do texto de Daniel Ricardo Barbosa:

"Às vezes meus irmãos e eu nos dirigíamos até o quintal. Tratava-se de um terreno de chão de terra onde se via a bela horta que a mãe cultivava com zelo. Subíamos na imensa mangueira que crescia rente ao muro dos fundos. Do alto da árvore se tinha privilegiada vista para o mar. O panorama inspirava as mais diversas brincadeiras. Só retornávamos a casa no momento em que nossa mãe chamava insistentemente a fim de que tomássemos banho.

De pé sobre o assento do sofá - que já era velho -, escorados de barriga no encosto macio e barulhento do móvel; enquanto se aguardava a hora de cada qual enfrentar a gelada água do chuveiro improvisado, tanto os que se encontravam "na fila", quanto os irmãos que já tinham terminado o banho, seguiam contemplando o oceano através de uma janela de madeira.

A visão que se tinha dali não era tão privilegiada quanto a que se vislumbrava do alto da árvore. Todavia era fascinante ter o mar à disposição, como se fosse uma infinita expressão da nossa varanda."